Páginas

domingo, 18 de setembro de 2011

Já senti a morte de perto


Já senti a morte de perto, respiramos o mesmo ar. Já estava certa a minha ida, o luto era evidente. Já imaginava a sena: Pessoas de branco, alguns rindo, outros chorando, porém, todos se lembrando das merdas em que passamos juntos. Creio que o apogeu de nós todos, foi no mesmo dia o maior desafio e o ultimo dia que nos vimos. De todos que eu deixei para trás, posso garantir, não tiveram importância, nem ao menos são lembrados pelos seus feitos. Também, oras, que feito pode ter alguém cuja a vida foi brutalmente retirada, não por falha humana, não por uma fatalidade, mas, pelo simples fato de que, quem é mais hábil, vence. Tu podes por a culpa em quem quiser: Deus, Zeus, Maomé, Charles Darwin, Dunga, Mano Menezes, Falcão ou Renato Portaluppi, mas, a vida é assim. A vida é foda!
Se sentir no meio de bilhões, homens, mulheres, vivos, mortos, com problemas, sem problemas, de todos os tipos e no final, só tu que realmente fica vivo. Enfim, após toda essa corrida, e de dar tudo certo, tu finalmente nasces. O nascimento não é grande fato, na realidade, o nascimento é apenas a data que tu comemora um ano a mais ou a menos de vida, depende do teu ponto de vista. Fora isso, nada mais importa, já ganhamos uma maratona, já matamos milhões, e estamos aí, achando que estamos vivos, porém, quando menos se espera, já estamos mortos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint- Exupéry

"Se lhes dou esses detalhes sobre o asteróide B 612 e lhes confio o seu número, é por causa das pessoas grandes. As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: "Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que coleciona borboletas?" Mas perguntam: "Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?" Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: "Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado..." elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: "Vi uma casa de seiscentos contos". Então elas exclamam: "Que beleza!"

Assim, se a gente lhes disser: "A prova de que o principezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existe" elas darão de ombros e nos chamarão de criança! Mas se dissermos: "O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612" ficarão inteiramente convencidas, e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito indulgentes com as pessoas grandes.

Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos números! Gostaria de ter começado esta história à moda dos contos de fada. Teria gostado de dizer: "Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta pouco maior que ele, e que tinha necessidade de um amigo..." Para aqueles que compreendem a vida, isto pareceria sem dúvida muito mais verdadeiro.

Porque eu não gosto que leiam meu livro levianamente. Dá-me tristeza narrar essas lembranças! Faz já seis anos que meu amigo se foi com seu carneiro. Se tento descrevê-lo aqui, é justamente porque não o quero esquecer. É triste esquecer um amigo. Nem todo o mundo tem amigo. E eu corro o risco de ficar como as pessoas grandes, que só se interessam por números. Foi por causa disso que comprei uma caixa de tintas e alguns lápis também. É duro pôr-se a desenhar na minha idade, quando nunca se fez outra tentativa além das jibóias fechadas e abertas dos longínquos seis anos! Experimentarei, é claro, fazer os retratos mais parecidos que puder. Mas não tenho muita esperança de conseguir. Um desenho parece passável; outro, já é inteiramente diverso. Engano-me também no tamanho. Ora o principezinho está muito grande, ora pequeno demais. Hesito também quanto à cor do seu traje. Vou arriscando então, aqui e ali. Enganar-me-ei provavelmente em detalhes dos mais importantes. Mas é preciso desculpar. Meu amigo nunca dava explicações. Julgava-me talvez semelhante a ele. Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci."

Uma pequena parte do meu livro predileto quando criança, e que continuou sendo quando já se tornado uma pessoa grande, ele me marcou muito pela criança que um dia eu já fui, e pela criança que eu ainda sou. Porque, todas as pessoas grandes foram um dia crianças - mas poucas lembram disso.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

As vezes

Às vezes, o medo de levantar é consequência do medo de cair novamente, de se erguer diante a escuridão de um nada. E as vezes, a luz é tão forte, que nos cega diante de nós mesmos... é como se os sonhos fossem movidos a vida, mas infelizmente, a vida é movida de sonhos.

sábado, 9 de abril de 2011

De novo


Me sinto uma farsa, desperdiçando palavras sobre aquilo que não sinto.
Sorrisos desonestos, que imploram por uma escapatória, gritam a noite e sussurram todos os dias no meu ouvido, o quanto já cansaram de uma estampa que já não trasmite mais nada.

Me escondo atrás de mesas de escritório, que me abraçam durante o horário comercial.
Decoro textos que são ditos em frente às câmeras, mas, atrás delas, nunca sei o que falar.

Sangro as pontas dos dedos, forçadas a desabafar, seco os olhos tão acostumados com um afogamento contínuo, cansativo, patético.

Engulo seco, palavras cortadas ao meio, vomito frases sem sentido algum.
Não olho fixo, desvio, nem vejo.


Fujo com a mesma covardia infantil usada por quem soltou minha mão.
Busco, procuro, desisto. Não preciso de muito pra escapar do que não consegui arrumar.

Untitled 11

Ela tirou as almofadas e os ursos de pelúcia que encobriam sua cama. Puxou a pontinha fina do cobertor e sentou-se. Como de costume, tirou os óculos e os guardou frente a uma escrivaninha velha que se encontrava encostada alí a anos. Pensativa, até fitou o livro surrado e de folhas amareladas, mas estava tão exausta que decidiu terminá-lo numa outra hora. Aos bocejos, tratou de colocar as pernas por dentro da coberta e sentindo-se aquecida, ajeitou o travesseiro pela ultima vez, enquanto Spike, seu cachorro, acomodáva-se aos seus pés.
Bang, bang, bang…
O Relógio antigo de madeira conservado frente a sala de estar, anunciava 23:00 horas. “Detesto esse barulho” - pensava ela. Após a morte da pobre tia Ana, por que diabos ficar com um relógio velho e barulhento? Tia Ana era uma mulher doce. Costumava ser uma daquelas tias que mimam os sobrinhos com zilhões de balas e histórias divertidas sobre princesas e seus adoráveis finais felizes. Às vezes, até mencionava belas capas e lindos cavalos brancos.
Bang, Bang, Bang…
Mas que diabos! “Ao invés do relógio, deveríamos ter ficado com o livro de histórias” - dizia ela apertando o travesseiro contra os ouvidos na tentativa de diminuir o barulho. Até Spike passara para debaixo da cama. A lua banhava o céu estrelado. Banhava as ruas vazias e o chão de seu quarto, agora, silencioso. Seria uma daquelas noites longas as quais você deseja que seu corpo seja desligado da mente. Corpo cansado mente pensativa. Deveria haver uma espécie de conexão direta entre as duas. “Minhas olheiras agradeceriam se eu pudesse dormir rapidamente” - ela sussurrou.
Isso já virara uma espécie de rotina. Essa coisa de encostar a cabeça no travesseiro, olhar para o teto e pensar em nada e em tudo ao mesmo tempo. Não a julguem, pois afinal, adesivos fluorescentes de estrelas colados no teto podem fazer a sua mente vagar por quilômetros…
“Quanta bobagem” - ela riu de si mesma. Então, puxou a coberta pra mais perto e abraçou um punhado dela, como se estivesse protegendo a pessoa mais preciosa do mundo. Suspiros tomaram conta do quarto quieto.
Diga-me, qual é a primeira coisa que você pensa antes de dormir e a primeira ao acordar? Talvez não seja tão difícil de responder, talvez não seja tão incomum assim. Digo, não são coisas que desejaria ter ou fazer. A pergunta certa seria: em quem você pensa ao encostar a cabeça no travesseiro?
“Quanta tolice!” - ela virou-se abruptamente dando as costas para o espaço fluorescente acima de sua cabeça.
Bang, Bang, Bang…
O relógio ressoava novamente.
Bang, ban, b…
Seus olhos foram fechando-se aos poucos a medida em que não se podia ouvir mais nada, exceto Spike ronronar pela ultima vez. Ainda havia muitos pensamentos a serem questionados. Mas resolveu guardá-los para uma próxima vez, uma próxima noite de insônia qualquer.


terça-feira, 5 de abril de 2011

Tempo perdido

Era só mais um dia comum. Depois de um dia cheio chego em casa cansada da faculdade, e minha única vontade era a de deitar e descançar.
Mas, ao entrar em casa me deparo com ele me esperando. Dou um oi seco e deixo ele com minha mãe na sala e vou para meu quarto largar minhas coisas.
Conforme os dias se passavam eu podia ver que algo estava mudando, e tinha outra pessoa na jogada. Minhas tardes e minhas noites já não eram as mesmas e estar com meu namorado não era mais minha prioridade. Por quê? Eu vou explicar porque. Tudo estava indo muito bem, meu namoro ia bem, meu trabalho, minha faculdade... minha vida estava ótima, até que depois de um tempo trocando mensagens, o melhor amigo do meu namorado diz estar apaixonado por mim.
Por causa do trabalho ele foi obrigado a se mudar, mas a gente não perdeu o contato. Dia e noite a gente se falava, e conforme eu me aproximava dele, eu me afastava do meu namorado. Aos poucos ele me convencia de que realmente gostava de mim.
Após se passarem alguns meses, ele ainda estava me esperando. Era um final de semana qualquer e ele tinha vindo visitar seus pais. E naquele dia durante uma discussão boba com meu namorado eu tinha certeza de que eu queria ficar com o "amigo" dele e decido terminar o namoro. Eu saí da casa do meu ex-namorado e fui em direção à casa dos pais do "amigo" dele e ao chegar na rua da casa dele percebo uma movimentação estranha.
Ao ver sua mãe vou em direção a ela para saber o que estava acontecendo, ela então me entrega um papel e junto dele uma foto minha e de seu filho, e ao entregar ela diz:

- Ele te amava muito.

Ela vira e saí. Eu me afasto um pouco das pessoas que estavam ali e então começo a ler aquela carta. Ela dizia: "Me encontre aqui, e fale comigo.
Eu quero te sentir, eu preciso te ouvir. Você é a luz que está me guiando para o lugar onde encontrei paz...". A carta era uma declaração e nela tinha tudo o que ele estava passando, ele pedia desculpa por tudo o que me causou e dizia que já não conseguia mais me esquecer nem um minuto e que me esperar estava torturando ele demais, ele dizia na carta que eu era a esperança que fazia ele confiar, eu era a vida para alma dele, e pedia que eu fosse feliz independente de tudo... E no final ele dizia " E mesmo quando eu não estiver mais aqui, lembre-se que meu amor permanecerá vivo em teu coração". Aquilo foi um adeus.
Meus dias depois daquele ali foram bem dificeís, pois eu havia decidido ficar com ele, e então ele se mata por causa de mim. Mas eu segui em frente procurando uma maneira de ser feliz.
Não é um conto de fadas: todo conto de fadas tem, um inicio triste e um final feliz. Quando o inicio é muito feliz, cuidado com o final triste.