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sábado, 9 de abril de 2011

De novo


Me sinto uma farsa, desperdiçando palavras sobre aquilo que não sinto.
Sorrisos desonestos, que imploram por uma escapatória, gritam a noite e sussurram todos os dias no meu ouvido, o quanto já cansaram de uma estampa que já não trasmite mais nada.

Me escondo atrás de mesas de escritório, que me abraçam durante o horário comercial.
Decoro textos que são ditos em frente às câmeras, mas, atrás delas, nunca sei o que falar.

Sangro as pontas dos dedos, forçadas a desabafar, seco os olhos tão acostumados com um afogamento contínuo, cansativo, patético.

Engulo seco, palavras cortadas ao meio, vomito frases sem sentido algum.
Não olho fixo, desvio, nem vejo.


Fujo com a mesma covardia infantil usada por quem soltou minha mão.
Busco, procuro, desisto. Não preciso de muito pra escapar do que não consegui arrumar.

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